QUE O SOFRIMENTO DOS PACIENTES NÃO GERE NEGATIVIDADES

 

 

Um santo, quando sofre, não gera negatividades. A paixão de Jesus é um grande exemplo. A cruz de Jesus, apesar de todo seu absurdo, tem gerado compaixão e sabedoria. Seu sofrimento tem tocado a humanidade, gerando uma onda de amor ao longo da história.

 

Parte desse efeito está no modo como Jesus enfrentou a paixão. Sofrimento e injustiça extremos usualmente geram revolta, ódio, medo e desânimo,

 

Não foi uma paixão acidental ou inesperada. Pelo contrário, vinha sendo anunciada e percebida, na medida em que Jesus enfrentava poderes e concepções enraizadas naquela sociedade. Foi uma paixão assumida com firmeza de que a missão precisava ir até o fim, revelando a possibilidade humana de assumir seus propósitos mais sagrados sem se curvar ao medo do sofrimento.

A morte de Jesus tem gerado uma onda de amor. Seja ele reconhecido ou não como Deus, seu sofrimento toca. Sua morte expõe injustiças humanas, mas sem esforçar para acusar ou condenar. Antes, revela a bondade e força presentes no ser humano.

Nós profissionais de saúde cuidamos de situações, muitas vezes graves, de sofrimento. Assistimos pessoas e famílias se afogarem em negatividades. Rancores, paralisia e quebra de laços de solidariedade. Mas assistimos também pessoas e famílias tornarem o sofrimento como força de solidariedade, sabedoria e empenho na reorientação do viver.

Não somos apenas assistentes do teatro da vida humana. Podemos interferir fortemente em suas tramas. Como poucos, temos acesso à intimidade dos dramas e sofrimentos. Nossas palavras e gestos têm acolhimento especial nessas situações. Inspirados na potência revelada por Jesus diante de sua dramática paixão, podemos colocar, como nossa missão terapêutica, o tornar o sofrimento de nossos pacientes fonte de sabedoria, solidariedade e garra de superação dos problemas familiares e comunitários. Fazer com que seus sofrimentos não sejam fonte de negatividades que afogam.

A fé na potência humana, inspirada em Jesus, nos ajuda acreditar que as duras situações que acompanhamos podem ser superadas. E que, para além dos sofrimentos e da morte, há ressurreição. Com essa fé e esse propósito, podemos ir aprimorando nossos gestos e palavras para contribuir no processo de redenção da inteireza humana nos momentos mais difíceis da existência, mas que têm tanta repercussão na vida comunitária e nas histórias familiares. Quem já viveu isso sabe.

Essa é uma das principais missões espirituais do trabalho em saúde.

 

Eymard Vasconcelos, Inspirado em texto do monge Laurence Freeman, da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã (http://www.wccm.org.br/ )


Comentários

  1. Escreve é uma atitude de amor, Eymard, quando feita com essa intencionalidade.

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  2. Sim Ernande. Escrever forte, com compromisso com a superação da dor humana, exige recolhimento e muito esforço, que nos afastam da fruição vivencial de consumos e interações sociais mais leves. Para muitos isso é morte.

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