A MORTE É UM DIA QUE VALE A PENA VIVER-Dra. Ana Claudia

 


     Médica dedicada aos cuidados paliativos, Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes tem chamado a atenção pela sabedoria e sensibilidade de suas reflexões sobre o cuidado em situações de proximidade da morte. Em 2012, foi convidada para fazer uma Ted-Palestra organizada pela Faculdade de Medicina da USP, a que deu o título “A morte é um dia que vale a pena viver", divulgada pelo YouTube. Fez muito sucesso. A partir daí organizou um livro com o mesmo título e passou a ser convidada para muitos eventos. Hoje é considerada uma grande referência nesse tema.


Assistindo esse vídeo no YouTube, fiquei impressionado de como ela, em pouco mais de 15 minutos, conseguiu expressar de forma clara e tranquila, tantas dimensões essenciais do significado e do cuidado do morrer. Vale a pena.

https://www.youtube.com/watch?v=ep354ZXKBEs

Em outro texto deste Blog, foi dito: “Jesus nos traz uma referência audaciosa para nosso cuidado no morrer. Para que esse tempo, tão denso e gerador de intensos aprendizados, seja, não apenas menos sofrido, mas amoroso. Que seja momento de revisão compreensiva da vida familiar. Momento de decisões necessárias para o futuro, orientadas pelo carinho e compromisso amoroso com aqueles que ficam e com quem vai. Momento de ligação mais forte, pela oração, com o Mundo dos Céus, que perdura ao Mundo da Terra”. Mas concretamente, como fazer isso no cotidiano do cuidado em saúde? Dra. Ana Cláudia tem muito o que ajudar nesse desafio.

Seu livro, com esse título, foi publicado pela Editora Sextante, em 2016.

Ana Cláudia é um grande exemplo da potência de produção de conhecimento a partir de um engajamento comprometido e amoroso com o trabalho em saúde. A espiritualidade e o afeto não como objetos a serem conhecidos pela ciência, mas como um jeito de produzir ciência. Eles mudam nosso olhar sobre a realidade e nos possibilitam ver dimensões que são invisíveis para a maioria. A aplicação amorosa dessas percepções geram atos de cuidados que vão sendo aperfeiçoados num contínuo movimento de ação-reflexão-ação-reflexão. O compromisso com a transformação da realidade leva ainda a um trabalho exaustivo de sistematização e divulgação dos conhecimentos assim gerados. Não é conhecimento produzido para nos projetar academicamente e avançar na carreira. O conhecer como ato de amor. 

Ela estudou muito as ciências ligadas ao cuidado. Teve formação científica primorosa. Mas as suas condutas como médica não são a aplicação rigorosa dos melhores textos médicos. Sua conduta é, antes de tudo, guiada pelo compromisso e o afeto com seus pacientes. Os conhecimentos científicos que aprendeu vão em uma mochila em suas costas. No encontro terapêutico vai tentando descobrir quais desses conhecimentos são pertinentes para aquela situação. E os mistura com conhecimentos que brotam de sua experiência como ser humano, em diálogo com os conhecimentos e valores dos pacientes e sua família.

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