INSUFICIÊNCIA DOS ESTUDOS CIENTÍFICOS SOBRE A ESPIRITUALIDADE NA SAÚDE


É fundamental o debate com a ciência


O tema da espiritualidade em saúde vem sendo crescentemente valorizado nas universidades e nas instituições de saúde a partir de estudos científicos no campo da epidemiologia, biologia, psicologia e das ciências sociais e humanas. Demonstraram a importância dessa dimensão para a promoção da saúde. Esses estudos legitimaram sua discussão entre os profissionais de saúde, que já valorizavam anteriormente essa dimensão em suas práticas e vivências pessoais, mas sentiam não ter legitimidade para assumir isso no trabalho profissional.  

A ciência, por seu próprio método de conhecer e pesquisar, estuda apenas as dimensões que fazem parte da natureza concreta das coisas naturais e sociais, ou seja, a dimensão imanente da realidade espiritual, que pode ser medível e objetivamente observável. Assim, nesses estudos, a espiritualidade humana tende a ser reduzida e encarada apenas como uma dimensão da subjetividade e da convivência social que dá sentido e motivação para a vida.

Mas para a maioria das pessoas, a transcendência não é apenas essa força vital presente no ser humano. Para elas, a transcendência refere-se principalmente à atuação de seres espirituais (Deus, deuses, anjos, demônios, almas de pessoas falecidas e outros seres) sobre a existência humana. Esses seres têm uma dinâmica própria e autônoma em relação à vida humana, que tende a ser desconsiderada pela abordagem cientifica da espiritualidade, pois não são realidades que podem ser medidas e observadas de forma objetiva.

Isso tem gerado um mal-estar a respeito das abordagens científicas da vida espiritual, justamente entre profissionais e lideranças comunitárias que mais valorizam a dimensão espiritual em suas práticas e suas lutas. Essa insatisfação vem fortalecendo e dando visibilidade ao crescente questionamento filosófico sobre os limites do método científico para a compreensão ampla da realidade, mas principalmente da experiência religiosa.

Abordei esse desafio, de forma mais ampla, na mesa-redonda Tensões e insuficiências da abordagem científica da espiritualidade na APS, no 16º Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), em setembro de 2021, junto com Eno Filho, Domingos Vaz, Afonso Henrique, todos participantes do GT de Espiritualidade e Saúde da SBMFC. Minha fala teve como título “Entidades espirituais: uma ilusão fecunda para os fragilizados?”  Você pode ver essa explanação em:  

https://drive.google.com/file/d/12kOCpaAMlQTkdwLbVq-5fGafjYQ-XkCs/view?usp=sharing 


Esse vídeo tem 40 minutos (20 de exposição e 20 de debate)


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