AMOR, DIMENSÃO PRÓPRIA DA ESPIRITUALIDADE EM SAÚDE

 

O trabalho em saúde está sempre nos colocando a frente de pessoas em sofrimento. Isso é pesado, mas também uma oportunidade. Oportunidade de experimentar a compaixão.

Viver a experiência da compaixão a partir do cuidado em saúde. De repente, o outro que sofre, na nossa frente, não é mais um coitado ou um carente. Passamos a percebê-lo próximo. Sofremos juntos. E nos envolvemos em sua ansiedade de busca por saídas.

A compaixão unifica a complexidade das propostas de cuidado. O que verdadeiramente importa, naquele momento, fica claro. As várias teorias e demandas profissionais se integram na força da demanda emocionada da compaixão. Experimentamos uma simplicidade. Outras necessidades e outras perspectivas de compreensão serão depois demandadas a partir do vínculo e do compromisso que se ampliam com essa experiência.

O encontro com quem sofre também nos encanta, pois encontramos garra de superação, carinho, modos surpreendentes de levar a vida, solidariedade e criatividade. Entramos em contato com a capacidade de transcender presente em pessoas aparentemente tão limitadas fisicamente.

Assim, o trabalho em saúde cria fortes oportunidades de uma experiência que pode alastrar para o restante de nossa vida. A experiência do amor. Ele pode ser espaço de treinamento do desafio de manter-se no amor mesmo nas dificuldades, que são tão grandes nas instituições de saúde e nos tumultos de nossa mente.   

O amor aprendido com desconhecidos, que se fizeram próximos apenas por nosso trabalho profissional, reverte para a relação com nossos romances, amigos, familiares e companheiros de militância, que muitas vezes são utilitárias e superficiais. O amor por quem não temos o dever de amar, nos faz conhecer o amor.

A força da experiência da simplicidade e potência, trazida pelo amor, superando a complicação dispersante das relações humanas, cria uma referência fundamental para a reorganização de nosso viver. Aprendemos que o amor é a dinâmica essencial de todo relacionamento que se quer verdadeiro. O resto é secundário.  Nele, no relacionamento mais casual ao mais íntimo, no mais antagônico ao mais simpático e no bem presencial ao totalmente virtual, podemos estar inteiros e unificados.

Precisamos de estudos críticos, pesquisas científicas, interdisciplinaridade e trabalhos em grupo, mas regidos, antes de tudo, por amor.

 

Texto elaborado por Eymard Vasconcelos a partir de reflexão de Laurence Freeman, da Comunidade Mundial de Meditação Cristã (fonte: http://www.wccm.org.br/leitura-laurence-freeman-osb/608-perdao-e-compaixao-170604 ), com a finalidade de torná-la mais adequada à sua própria jornada de aprendizagem e aos desafios de seu campo profissional.

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